Em entrevista à CNN Portugal, no contexto da subida da inflação para 3,4% em abril (impulsionada pelos combustíveis), Sofia Cordeiro, especialista em mediação de crédito à habitação, sublinhou que a maioria das famílias que contratou crédito nos últimos anos está protegida do impacto imediato das subidas das taxas de juro. A explicação está no perfil dominante de contratação: taxa fixa ou mista, em vez de variável pura.
O que disse na CNN Portugal
Convidada para comentar a aceleração da inflação em abril para 3,4%, impulsionada sobretudo pelos combustíveis, Sofia Cordeiro deslocou o foco para o efeito real nas famílias com crédito habitação. Segundo a especialista, a maior parte das pessoas que contratou crédito nos últimos anos está protegida da subida das taxas de juro, porque optou por taxa fixa ou mista nos primeiros anos do contrato.
Porque é que a maioria está protegida
Entre 2023 e 2025, com a Euribor já em níveis elevados, as instituições passaram a propor com frequência taxa fixa nos primeiros anos do contrato ou taxa mista. Esse perfil de contratação imuniza a prestação face a movimentos de curto prazo do indexante: a prestação só muda no final do período fixo ou na data de revisão prevista no contrato. Ainda assim, é importante ler a FINE para identificar quando o contrato passa a variável e qual o spread aplicável.
O que verificar antes de qualquer decisão
Antes de renegociar, transferir ou simplesmente sentir alívio, confirme três pontos na FINE: o regime de taxa em vigor, a próxima data de revisão e o indexante usado, mais o spread contratado. A análise deve incluir TAEG, MTIC, prazo remanescente, seguros e custos da operação. Uma prestação estável hoje não significa imutável amanhã.